set 14
Olá! de volta!
Se as características culturais de uma região ou de um indivíduo têm influência nos modos de falar, também marcam presença na música.
As maneiras de tocar, de compor, de cantar, apresentam variações lingüísticas ou comportamentais que diferem das regiões brasileiras entre si.
A música vai ser a motivação para entendermos mais as prováveis inadequações ocasionadas na fala através da escrita.
“O que se fala não se escreve” é a expressão que retrata a multidiversidade lingüística tão crescente a partir da colonização do país. Muitos idiomas influenciaram a variação da linguagem. Várias culturas reveladas a partir do trabalho das bandas regionais que carregam um sotaque típico e expressões inusitadas das marcas regionais.
Cantamos e nutrimos uma cadência bonita a partir do que a gramática considera “erro”.
E agora?
Você não vale nada/Mas eu gosto de você! /Tudo que eu queria /era saber porquê?!? (1)
Você brincou comigo, / bagunçou a minha vida.(2)
Vendo a hora morrer (…) (3)
Já fiz de quase tudo tentando te esquecer. (4)
Seu sangue é de barata, / a Boca é de vampiro. (5)
Um dia eu lhe tiro / de vez meu coração./Aí não mais te quero (6)
Amor não dê ouvidos /Por favor, me perdoa / Tô morrendo de paixão… (7)
Eu quero ver você sofrer /Só pra deixar de ser ruim (8)
Eu vou fazer você chorar, se humilhar /Ficar correndo atrás de mim! (9)
Bom… Isso é Brasil!!
Priscilla Toledo
ago 17
Ola! De volta!
Sabe… eu fiquei pensando… “ poxa não é que eu esqueci de dizer os erros na música da novela das 8?” Por outro lado, será que é mesmo importante saber quais são os pronomes, artigos, metáforas e outros bichos que a gramática condena? Claro que é!! A grande oportunidade que a música nos dá é a de ser permissiva e instigar em nós a busca pelo acerto. Isso sim é legal!
Então vamos lá:
Olhe o texto de novo!!
Você não vale nada/ Mas eu gosto de você! /Tudo que eu queria /era saber porquê?!? (1)
Você brincou comigo, / bagunçou a minha vida.(2)
Vendo a hora morrer (…) (3)
Já fiz de quase tudo tentando te esquecer. (4)
Seu sangue é de barata, / a Boca é de vampiro. (5)
Um dia eu lhe tiro / de vez meu coração./Aí não mais te quero (6)
Amor não dê ouvidos /Por favor, me perdoa (7)
Tô morrendo de paixão… (8)
Eu quero ver você sofrer /Só pra deixar de ser ruim (9)
Eu vou fazer você chorar, se humilhar /Ficar correndo atrás de mim! (10)
(1) porquê – quando junto e acentuado deve ser precedido de artigo para que o significado seja: motivo.
(2) Vamos combinar uma coisa? Um artigo precede o substantivo, ou seja, um nome e NUNCA um pronome, ok?
(3) Figura de Linguagem – personificação – significado – “perder tempo”.
(4) É muito comum na linguagem falada a não correspondência de pronomes. O uso da 3ª pessoa, se utilizado desde o início, melhor manter. Evite, ainda, o uso do pronome você em lugar dos oblíquos “ te ti, contigo”. Você não é pronome oblíquo. É pronome de tratamento.
(5) Figura de Linguagem ( de novo) – Metáfora . É clara a comparação.
(6) A partir do uso de um pronome oblíquo tônico “ lhe” – o correspondente seria um pronome oblíquo átono
“o,a”.
(7) Os verbos em destaque devem passar pelo mesmo tempo verbal: Presente do Subjuntivo.
(8) Redução de verbo conjugado. Estou = Tô
(9) (10) Construções muito comuns na linguagem falada. O ideal é reduzir o número de verbos. Os textos escritos ficam cansativos com o uso abusivo de locuções verbais.
Entre erros e acertos, adequações ou inadequações, caminha a Língua Portuguesa e na próxima semana tem mais!
Bom… Isso é Brasil!!
Priscilla Toledo
ago 03
Olá.
A cada semana, falaremos das características que a linguagem carrega: ou regionais ou individuais, encontradas na escrita através da fala ou da música.
Tanto a maneira que o povo fala ou canta envolvendo os modismos, os vícios, os jargões, os regionalismos, quanto a negação das regras gramaticais, trataremos das sutilezas de um idioma que “O que se fala não se escreve!”
Falar português significa aceitar as variações de pronúncia, entonações, ritmos que nos mostram uma “salada mista” de vocábulos que enriquecem nosso idioma de mais de 500 anos.
Neste espaço, vamos reconhecer a pluralidade de nossos falares por meio da fala e da escrita, da música e da poesia, dos vícios e dos modismos, das gírias e dos jargões.
Se é grande a permissividade musical do Ultraje a Rigor para o: “A gente somos inútil” devemos considerar que “a gente não sabemos tomar conta da gente!!”
Bom… Isso é Brasil!!
Priscilla Toledo