Expandindo Limites

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limites

Por Reinaldo Passadori.

Tive uma experiência interessante em um curso de teatro, conduzido por Sílvio Zylber. Ele afirmou, em um determinado momento, que “o ser humano caminha quando se desequilibra”. Diante da contestação de vários participantes, incluindo a minha, propôs um exercício: pediu que todos ficássemos em pé, com o corpo encostado na parede. Imagine um grupo de pessoas em uma sala, com o corpo todo grudado na parede.

Em seguida, ele solicitou que desencostássemos somente a cabeça cerca de cinco centímetros, inclinando o corpo, mas mantendo a coluna ereta. Depois mais cinco centímetros, e mais, e mais, até que chegássemos ao nosso limite. Isso quer dizer que estávamos a ponto de nos esborrachar no chão.

Para nossa surpresa, ele disse: – Mais cinco centímetros… – e acrescentou – podem dar um passo à frente.

Naquele momento, ficou clara a proposta do diretor, uma sequência ininterrupta de desequilíbrios e o consequente reequilíbrio através dos passos fazem o ser humano caminhar.

Esse mesmo conceito pode ser utilizado ao analisarmos outros limites que nos foram impostos ou os que nós mesmos adotamos. Entretanto, há alguma estratégia para superarmos nossos limites? Se há, como proceder para implementá-la?

O primeiro passo é a conscientização desses limites. Para todos os comportamentos humanos há um limite máximo e, obviamente, um ponto intermediário entre um e outro. Nessa amplitude conhecida e dentro da normalidade vivemos e atuamos. Quais são, então, os fatores que nos impõem esses limites?

Primeiro, há os agentes externos, limites que nos são impostos pela sociedade e a civilização, tais como regras, leis, usos e costumes, tradições, cultura, religião predominante, sistemas de governo, localização geográfica, condições climáticas ou festividades e eventos específicos. Um bom exemplo é o uso das fantasias no carnaval ou nas festas do Boi Bumbá.

Além desses limites externos, há os de cunho pessoal, que fluem de dentro para fora, do interior para o exterior. Figuram aí as crenças, os valores, características hereditárias, idade, emoções, experiências de vida, profissão, nível cultural, religião pessoalmente adotada, momento psicológico, saúde, aparência.

Reconheça que os nossos comportamentos são corroborados pelas experiências e aprendizados da própria vida e, assim, passamos a agir dessa ou daquela forma, ou em conformidade com padrões. Rebelando-nos e agindo de maneira contrária ou inadequada a eles, sempre os tomamos como referência.

Estabelecer novos padrões de comportamento, ampliar nossa própria percepção sobre essa possibilidade implica quebrar alguns paradigmas, ser ousado, correr alguns riscos, o que, convenhamos, não é fácil.

De qualquer modo, sugiro que você se desequilibre um pouco, faça coisas novas, reinvente um novo jeito de realizar o que tem realizado, questione tudo e todos, não se conforme se algo o incomoda.
Impressiona-me o quanto as pessoas, de maneira geral, são ou estão acomodadas, conformadas, limitadas demais, ora reclamando, ora criticando, ora se fazendo de vítimas ou sentindo-se culpadas.

Faça uma lista por escrito do que quer mudar, estabeleça um plano de ação, mesmo que pareça muito difícil; defina o tempo necessário para concretizar a mudança e lembre-se de registrar o dia e a hora dessa decisão. Podem ser coisas simples como realizar um novo estudo ou parar de fumar, fazer ginástica ou escrever um livro. Podem ser também ações ousadas e de vulto, como adquirir uma casa de praia ou uma revolução em sua vida por sentir-se infeliz: mudar de cidade, de estado de país, de companheira.

As mudanças são possíveis e passíveis de concretização, podem gerar fortes emoções, mas são elas que dão o tempero da vida.

Lembre-se de que as grandes mudanças ocorrem de dentro para fora, como disse George Bernard Shaw: “É impossível haver progresso sem mudanças e quem não consegue mudar a si mesmo, não muda coisa alguma”.

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