Saudações.
É muito bom tê-los aqui novamente.
Pesquisas mostram que até nossos oito anos de idade ouvimos mais de cento e cinqüenta mil vezes a palavra “não”. Somos condicionados a saber mais do que não queremos do que a entrar em contato com nossos desejos. Somos educados pelo medo.
Ser criança é muito difícil. Seja qual classe social for, vive num mundo governado por regras que não fizeram, mas para as quais são domesticadas. Ainda que façam o melhor na educação dos filhos, os pais, e me incluo nessa lista, acabam transmitindo a seus filhos medos, limitações, dúvidas, regras e preconceitos. Como diz a música: “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”…
Tudo isto começa, na verdade, quando estamos no útero de nossa mãe, isso já comentamos na semana passada. Nós captamos as mensagens do meio ambiente, das emoções vividas na família. A mamãe e o papai nos cantam cantigas para ninar. É inegável o valor da educação musical logo nos primeiros dias de infância, mas vejam o que ouvimos:
Dorme nenê que a Cuca vem pegar…
Bicho Papão sai de cima do telhado…
Boi, boi, boi… Boi da Cara Preta… pega essa criança que tem medo de careta…
Quando mais crescidos, a mamãe com medo que saiamos na rua diz:
“— cuidado que o homem do saco vem e te pega…”
Quando ávida por se comunicar escuta dos pais:
“– Cala a boca! Fica quieto! Agora não posso ouvir”, o que será que fica para esta criança? Também ouvimos mensagens duplas e informações confusas. Os pais ensinam os filhos à não mentirem e mentem para eles e diante deles.
A criança, brincando, equilibra-se sobre um muro e vai indo muito bem, até que a mãe a vê e grita: “— menino, você vai cair!” E, evidente, ele cai. O seu software vai sendo formatado pela seguinte crença estabelecida pela sua mãe: “você não tem competência para subir no muro. Se você subir vai cair mesmo”. E assim a criança adota essa crença, estabelecendo um limite corporal.
Na próxima semana, continuaremos com esse tema. Participe nos enviando sugestões e comentários através deste blog.
Na Luz das Virtudes,
Léo Artése
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